A moda ganha espaço em cenário de sonho num belo parque a menos de duas horas da Capital. Ali designers mostram que sustentabilidade é elemento essencial no processo criativo.
Alamedas amplas e arborizadas serão a passarela pra lá de contemporânea da 13ª Edição do Vale Fashion, o evento de moda que está atraindo para São José dos Campos os olhares daqueles que buscam inovação. O vínculo da natureza com a moda, ali, não acontece por acaso. “O Vale Fashion surgiu e trilha seu crescimento com foco total em sustentabilidade”, afirma William Roggles, o idealizador da proposta.
O evento acontecerá de 21 a 23 de julho, no Parque Vicentina Aranha, na região nobre da cidade. O primeiro dia, segundo os organizadores, é dedicado a palestras e workshops, tudo voltado para ações e práticas sustentáveis na moda. “Os outros dois dias são reservados aos desfiles, com a presença de convidados, mas também com o público que transita pelo parque em momento de esporte e lazer”, comenta Roggles.

Esse é, aliás, um dos pontos importantes do encontro: conectar moda e público, como num diálogo em que haja interação e troca de ideias. “A moda é uma ferramenta potente de expressão e cultura. E de transformação econômica também. Queremos ter São José dos Campos atuante dentro do sistema de moda e tendências”, revela, acrescentando que vai junto a responsabilidade pela construção de um futuro viável e inspirador para o mercado.
A curadoria de moda também reflete a evolução do evento. Na composição do line-up dos desfiles, prevalece a proposta autoral das marcas e criadores, assim como a tecnologia empregada e o esmero produção e acabamento das peças.
A diretora e curadora do evento, Jussara Medrado, explica que a escolha das marcas participantes seguiu critérios de excelência. “Buscamos construir uma narrativa que unifique a sofisticação estética ao design de impacto”, comenta, frisando que, nesse contesto, a passarela deve funcionar como um “espelho de inovação”.
Na passarela
Arnaldo Ventura estreia no Vale Fashion. Sua trajetória, porém, tem investidas muito interessantes, tais como as participações, em São Paulo, na Semana de Moda – Casa de Criadores (de 2009 a 2013) e em Nova York (2012), dentro do Projeto Ponto Zero, surgido a partir da parceria entre Abit, Apex e o Texbrasil, numa extensão internacional da Casa de Criadores. Ventura une em suas criações a técnica, inovação e o saber manual, presentes na moda elaborada em seu ateliê assim como na proposta casual da sua segunda marca, a EIVI.
Tempo Fashion – A passarela do Vale Fashion, nesta edição, conta com as criações assinadas pela diretora criativa da marca, Marlene Ferraz. Com ateliê em São José dos Campos, a designer está há três década na moda, sendo 14 deles dedicados à moda noiva, festa e debutantes, além do social masculino e infantil. Em abril, a marca participou da Bridal Fashion Week em Barcelona, porque as conexões internacionais também estão no radar da empresária.
Gregga Moda e Design – A marca une a criação sustentável aos saberes artesanais. O crochê predomina no trabalho de Alethea Christina do Nascimento Schereus desde 2024, ano da criação da marca. As peças são produzidas por artesãs parceiras, como intuito de estimular o empreendedorismo, assim como preservar as técnicas manuais, feitas de identidade e história, diz a Alethea.
Camilla Machado – Com ateliê em São Paulo, a designer faz com que moda, arte e natureza estejam presentes nas criações, por meio de matérias-primas naturais e técnicas artesanais. Por seu trabalho, Camilla Machado conquistou o selo Friend of the Earth e mantém show-room na Passarella Uno Gallery, em Milão. Além disso, idealizou o projeto AlmaZônia, unindo arte têxtil, os saberes da floresta e o desenvolvimento urbano.
Júlia Pantaleão conta que sua coleção é construída por muitas mãos. Nos bastidores dessa história existem muitas artesãs ligadas ao Sebrae do Vale do Ribeira. E o próprio Sebrae de São José dos Campos apoia a criadora por meio do programa nacional Crie Moda Autoral, ligado ao Polo Nacional de Economia Criativa, ligadoao Sebrae Nacional. Para a coleção, Júlia elegeu a fruta mais presente na vida dos brasileiros: a banana dá cor e tropicalidade a todo processo criativo. A fruta inspira estampas e harmonias de tons, como também empresta suas fibras que se transformam em crochês que detalham os modelos.
Paratodos – A marca é de Porto Alegre e integra, nessa edição, o line-up do Vale Fashion. A aposta volta-se para a regeneração de materiais destinados ao desenvolvimento da linha de bolsas, mochilas e pochetes de couro. As peles provêm do setor coureiro-calçadista do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul.
Na NewSew a pegada é outra. A estilista e pesquisadora Camila Monteiro, conhecida como Camis 3D, recorre aos softwares, às impressoras 3D e a processos digitais para transformar tudo em expressão artística. A coleção é produzida com material biodegradável, com tudo projetado para evitar o desperdício; para isso, a modelagem é digital. Camila Monteiro usa filamentos de algas (da Flexy Green) para chegar aos tecidos da coleção.
Raquel de Queiroz – A joalheria contemporânea ganha novos ares, em trabalho que une pesquisa histórica e ecodesign feito pela criadora. Atenta à economia circular, ela combina ouro e prata reciclados e gemas facetadas. Raquel usa bio-tecidos à base de micélios (fungos), desenvolvidos pela start-up Muush. Ela também recorre ao tecido desenvolvido a partir da fibra de cacto, com tecnologia da mexicana Desserto, assim como a couros exóticos e certificados de arraia e pirarucu. A madeira produzida por indígenas é igualmente certificada. “A joia contemporânea vai além do adorno: ela é um manifesto de valores”, diz a criadora, para quem o luxo “pode e deve caminhar ao lado da regeneração ambiental, da tecnologia de biomateriais e da preservação cultural”.




Mãos que empreendem
A Prefeitura de São José dos Campos abraça a proposta do Vale Fashion. A parceria se dá por meio dos programas Empreendedor Artesão e Artesanato Brasileiro.
Por esses dois caminhos, os artesãos apresentarão seus trabalhos durante a 13ª Edição do Vale Fashion, tanto no espaço reservado exclusivamente para eles, como também com presença garantida na passarela.
Os trabalhos integram as categorias: mobiliário sustentável, decoração, bolsas e vestuário (upcycling) e acessórios de moda.

